
BOM DIA.
SerÔ que uma mÔquina de espresso de US$ 1.699 pode ajudar o Walmart a desafiar a Amazon? Essa foi a sacada da marca para disputar espaço com a Amazon fora do território de preço e conveniência.
Ćs vezes, tudo o que uma marca precisa nĆ£o Ć© mudar quem ela Ć©, mas Ć© provar que tambĆ©m pode ocupar outros lugares na cabeƧa das pessoas.
šļøNos ouƧa clicando aqui.
uma fonte de inspiração para os seus conteĆŗdos, estratĆ©gia e uma pitada de insights para sua marca. š
POLL OF THE WEEK
šŖšŗ Uma rede social sem bots funciona?
Contexto: A Europa lanƧa a W, nova rede social apresentada em Davos como alternativa Ć X. Para entrar, usuĆ”rios precisam verificar identidade com documento e foto. A promessa: reduzir bots e desinformação. A crĆtica: vigilĆ¢ncia e controle.
Como vocĆŖ enxerga esse movimento?
Conte o porquê e, na semana que vem, vamos compartilhar a resposta e os melhores comentÔrios!
(Continue rolando para ver os resultados do poll da semana passada)
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ANOTA ESSA
A dica de hoje é esse livro sobre a economia da mensuração: como métricas não são neutras e acabam moldando como você se sente, decide e, aos poucos, o que você passa a valorizar.
Levando isso para o nosso mercado, o livro provoca algumas reflexões. Por exemplo, como marcas podem moldar comportamentos dos consumidores a partir das métricas que oferecem. Ou como profissionais podem se perder no número frio, deixando o indicador substituir o valor real.

Semana que vem, queremos trazer as indicações de vocês. Clique aqui e envie a sua.
RESUMO DA SEMANA
Hot takes pelo š
šŗĀ O Substack quer sair do inbox e entrar na sala de estar. A plataforma acaba de anunciar um app de TV, levando writers e creators direto para a maior tela da casa. Live shows, vĆdeo on-demand, podcasts e formatos longos passam a disputar atenção com YouTube, TikTok e o próprio āTV lifestyleā ā entrando no jogo das big platforms para disputar presenƧa diĆ”ria, mas com uma promessa diferente: menos algoritmo, mais vĆnculo. (Leia mais).
š¤³š»Ā Seguindo a mesma linha⦠vocĆŖ assiste Reels na TV? Se ainda nĆ£o, Ć© o que o Instagram quer que vocĆŖ passe a fazer, com essa campanha aqui. Se a TV virou pano de fundo da casa e o mobile domina a atenção, o Instagram tenta costurar esses dois mundos. NĆ£o como plataforma de creators, mas como o hub do entretenimento rĆ”pido, transportando o hĆ”bito vertical para a tela horizontal. Enquanto a Substack vende profundidade e vĆnculo, o Insta joga com frequĆŖncia, leveza e horas assistidas. No fim, Ć© a mesma briga pelo mesmo bem escasso: presenƧa diĆ”ria.
ā O mais novo parceiro da Ferrari Ć© a WHOOP. A pulseira que monitora do sono Ć recuperação agora vira a Official Health and Fitness Wearable da Scuderia Ferrari ā uma grande sacada de branding. AlĆ©m de equipar pilotos como Charles Leclerc e Lewis Hamilton, engenheiros e mecĆ¢nicos, a parceria inclui um estudo cientĆfico conjunto. No fundo, Ć© a mesma corrida que a Oura Ring vem buscando: fortalecer marca enquanto constrói dados proprietĆ”rios em escala.
š¶ļøĀ Deixa o consumidor criar. A Dr Pepper viralizou no TikTok quando uma creator postou espontaneamente um jingle sobre a marca. O vĆdeo passou de 80 milhƵes de views e outras pessoas comeƧaram a reutilizar o som. A marca respondeu do jeito certo: chamou para o DM, licenciou o jingle, deu crĆ©dito e transformou o momento em um comercial exibido em um dos espaƧos mais caros da TV americana. Fica a dica: observe o que as pessoas criam sobre vocĆŖ ā sua próxima grande campanha pode jĆ” estar ali.
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BIG STORY
O app que nasceu sem utilidade nenhuma

Pensa em um cara que nasceu na Ucrânia, cresceu sob vigilância do Estado e foi para os EUA sobrevivendo, sem publicidade ao redor e com uma relação quase obsessiva com tecnologia. Esse cara é Jan Koum.
Depois de ler um manual tĆ©cnico da internet, ele resolve criar um app que servia só para mostrar status ā āocupadoā, āno trabalhoā, āna academiaā, ādormindoā. A ideia era que, antes de ligar para alguĆ©m, vocĆŖ conseguiria ver se aquela pessoa poderia atender.
O app flopou. Teve entre 5 e 10 mil downloads e um uso diÔrio negativo. As pessoas simplesmente preferiam ligar. O app não tinha utilidade nenhuma.
Alguns meses depois, a Apple libera o push notification. E, de repente, quando alguĆ©m mudava o status no app, isso aparecia automaticamente para os contatos. Sem que ninguĆ©m tivesse planejado isso, os status comeƧam a ser usados como micro-mensagens: āindo para o barā, āchegando no cinemaā.

A virada de chave š
Koum percebe que as pessoas não queriam informar status. Queriam sinalizar presença. Ele adiciona mensagens privadas, testa com amigos, e não é que pegou? Assim, ele vence o SMS.
š”Ā Aprendizado: produto nĆ£o nasce pronto. Ele nasce errado e cresce Ć medida que Ć© corrigido pela realidade, quando alguĆ©m percebe um uso nĆ£o intencional e decide seguir o comportamento real, nĆ£o a ideia original.
O WhatsApp comeƧou a crescer carregando a filosofia dos fundadores, Jan Koum e Brian Acton.
Koum rejeitava surveillance, advertising e qualquer complexidade desnecessĆ”ria. Comunicação precisava chegar ā e precisava ser simples. Para nĆ£o esquecer disso, mantinha um walkie-talkie na sua mesa. JĆ” o Brian seguia o lema: āNo ads. No games. No gimmicks.ā
Essa filosofia guiou decisões-chave do produto. Desde o design até a distribuição.
O WhatsApp precisava funcionar do Nokia ao Windows Phone, em rede ruim, telefone barato e bateria fraca.

A logo misturava o Ćcone do telefone com o iMessage, porque a ideia era usar o que jĆ” era familiar e construir em cima disso.
E foi por isso que o WhatsApp deixou de ser um app e virou infraestrutura, entregando hoje o mesmo número de mensagens por dia que o número de estrelas na Via LÔctea.
Ironicamente, o melhor canal de advertisingā¦
O conceito-chave do WhatsApp nunca foi conteĆŗdo. Sempre foi arquitetura de presenƧa ā o que a antropologia chama de phatic communication: comunicação que nĆ£o troca informação, troca presenƧa. Num mundo de excesso de conteĆŗdo, essa Ć© uma grande vantagem.
NĆ£o por acaso, o WhatsApp virou o melhor termĆ“metro emocional que existe. Ele captura ansiedade (vocĆŖ tem aquele āļøĀ azul?), alĆvio (manda um āchegou bem?ā), crise (Ć”udios longos) e o clĆ”ssico ghosting. Nada disso acontece em pĆŗblico. Ali nĆ£o hĆ” performance nem plateia, Ć© onde as pessoas falam como realmente sĆ£o.
Por isso, na prĆ”tica, o WhatsApp virou o melhor amigo do consumidor, funcionando melhor que e-mail, app próprio ou SAC. Algumas marcas jĆ” entenderam isso. A LāOrĆ©al, por exemplo, faz mais de 20% das vendas DTC via WhatsApp. Ele converte atĆ© 6x mais que e-mail. E por lĆ”, o atendimento deixa de ser ticket, vira uma troca.
O key takeaway Ć©: no WhatsApp, marcas nĆ£o entram como mĆdia. Entram como relação. Num espaƧo onde o consumidor estĆ” mais vulnerĆ”vel, mais ele mesmo e, justamente por isso, mais aberto Ć confianƧa.
Talvez essa seja a maior lição do WhatsApp para qualquer marca hoje: Não é a melhor ideia que vence, mas a que aprende com as pessoas e se ajusta a elas. Marcas que não interrompem e constroem conversa saem na frente. Porque atenção não se compra, se constrói.
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TREND TO WATCH
SXSW para bilionƔrios: Welcome to Davos

O que Ć©? Uma pequena cidade de esqui nos Alpes SuĆƧos que, desde 1971, sedia anualmente o World Economic Forum, reunindo polĆtica, tech, capital e poder global.
Target audience: Chefes de Estado, bilionĆ”rios, CEOs, investidores e influentes š.
Antes restrito a lĆderes polĆticos, Davos passou a incluir marcas Ć medida que desafios globais passaram a exigir o setor privado.
Resultado: Davos virou um dos ambientes mais estratƩgicos do mundo para marcas falarem os Ultra-HNWI do mundo.
Como as marcas ocupam Davos
Na rua central, a famosa Promenade, lojas locais alugam seus espaƧos para marcas ā como Meta, TikTok, Anthropic, Coinbase e Stripe ā montarem suas próprias āhausā š temporĆ”rias.
PaĆses tambĆ©m entraram nesse jogo. A casa mais comentada do ano foi a USA House, patrocinada por Microsoft, McKinsey e startups de IA e cripto. O espaƧo atraiu membros do governo, executivos e investidores e chegou a ter filas na porta. Um detalhe: muitas dessas casas eram extremamente difĆceis de entrar, gerando ainda mais desejo de estar nelas.
AlƩm das houses, as marcas se espalharam por diferentes formatos de presenƧa:
š®Ā InstalaƧƵes fĆsicas e pavilhƵes, como a DP World House
šļøĀ Lounges curados, como o LinkedIn Space
š£ļøĀ ColaboraƧƵes de thought leadership, alinhadas Ć s pautas centrais do fórum
šļøĀ Eventos privados, invitation-only, focados em networking e experiĆŖncias
š§¢Ā E, claro, alguns mimos ā quem circulou bem, saiu com merch.
O que tinha dentro dessas casas e pavilhƵes? Salas fechadas para 1:1 e dealmaking; programação off the record (Chatham House Rule); Talks pequenos; hospitalidade de alto nĆvelā¦. alĆ©m de outras experiĆŖncias pra aprofundar relaƧƵes.
Nem só de polĆtica e tech vive Davos. Com um clima global de ansiedade no ar, wellness virou fuga. Houve sessƵes de bem-estar, iglus imersivos, experiĆŖncias sensoriais e ativaƧƵes pensadas especialmente para family offices. HotĆ©is tambĆ©m aproveitaram o momento para criar experiĆŖncias e se autopromover durante o evento.
šĀ No fim, Davos funcionou como uma lupa. Um evento que antes era low key hoje Ć© visĆvel, disputado e simbólico, e tambĆ©m virou espaƧo de produção de conteĆŗdo. Ainda assim, ele revela muito sobre como falar com UHNWI: menos mass awareness e mais influĆŖncia, credibilidade, acesso e impacto. Por dentro, a lógica das marcas segue discreta, com foco nas relaƧƵes. Letās see o que o próximo ano reserva.
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BYTES TO BITE
Um giro pelas Ćŗltimas campanhas de destaque
š Colocar uma nova empresa de pĆ© estĆ” na palma da sua mĆ£o. Ć isso que a OpenAI comunica com a campanha Frontier Builders, ao destacar startups e fundadores que estĆ£o construindo empresas nativamente sobre seus modelos.
š„¤ Quando vocĆŖ Ć© expressivamente menor que a concorrĆŖncia, vocĆŖ assume? Para a FYS, marca de refrigerantes do Grupo Heineken, sim. Veja só o que aprontaram no intervalo do BBB.
šĀ Nessas horas, a fome vai embora? NĆ£o para o BK e a TĆ¢nia Maria, a atriz icĆ“nica de O Agente Secreto indicado ao Oscar (premiação que atĆ© pouco a atriz sequer conhecia).
šĀ Quando o preƧo Ć© tĆ£o bom que a marca precisa esconder⦠Veja que peculiar essa campanha da Ikea.
š Ā Quem quer ir pro Four Seasons? A Patbo, neste verĆ£o, que assina piscina do hotel em Miami.
šŖĀ Everybody Sits: Ć© assim que se faz uma campanha fora da caixa com uma marca de cadeiras, a Herman Miller.
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TRENDING NOW
šĀ A fórmula para crescer no TikTok. Trend: TikTok Next 2026
š§Ā As baladas mudaram de lugar. Olha essa ativação de marca da Athletic Brewing. Trend: experiĆŖncia antes do produto. Replique esse evento em SP, neste lugar.
š¦Ā Como lanƧar um produto em 2026. Trend: Build in public
šŗĀ Alex Earle Ć© a nova Kim Kardashian? Agora ela sai do Instagram e lanƧa seu TV show. Trend: Creatores = IP.
āļøĀ Esse designer transforma logos atuais em logos dos anos 80. Trend: Nostalgia
LAST WEEK POLL RESULT:
Creators e modelos do OnlyFans estão pedindo visto O-1 nos EUA. O que você acha disso?
83% aponta ser āBanalização do conceito de āhabilidade extraordinĆ”riaā.
(Outro) āO visto O-1 sempre foi pensado para pessoas que geram valor excepcional dentro do seu campo. O problema Ć© que os critĆ©rios ainda sĆ£o muito baseados em modelos antigos de reconhecimento (prĆŖmios, mĆdia tradicional, instituiƧƵes), enquanto o digital opera com outras mĆ©tricas. Acredito que o desconforto aparece porque expƵe um choque de mundos: nĆ£o Ć© necessariamente banalização do talento, mas sim regras antigas tentando enquadrar profissƵes novas.ā
(Evolução natural) āĆ uma evolução natural, mas nĆ£o devemos confundir habilidade extraordinĆ”ria com habilidade relevante, principalmente em termos do que auxilia o avanƧo da sociedade, que Ć© o que esse visto realmente deveria servirā
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atĆ© segunda-feira que vem, byeeeeee! šš»

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