BOM DIA.

Você é do time que está vivendo o Carnaval ou do time que está bem longe disso? Segundo estimativas, serão cerca de 65 milhões de foliões pelo Brasil.

Mas a pergunta não é onde você está. É: onde está a sua marca. Foi numa viagem ao Brasil que uma peruana descobriu a Skala, viralizou e levou a marca para fora do país

Com tanta gente circulando, postando e conversando… O que você está fazendo para sua marca ser notada?

🎙️Nos ouça clicando aqui.

💭 uma fonte de inspiração para os seus conteúdos, estratégia e uma pitada de insights para a sua marca.

ANOTA ESSA

Você sabia que…

o the news trends também tem formato em podcast: toda segunda-feira, com um convidado especial do nosso universo; e, às terças, com Ricardo Dias — ao lado da editora desse caderno.

POLL OF THE WEEK

A justiçã do Reino Unido decidiu que a marca sueca Oatly não pode mais usar a palavra “milk” para seus produtos vegetais. A decisão reforça que o termo “leite” é legalmente reservado a produtos de origem animal.

Conte o porquê e, na semana que vem, vamos compartilhar a resposta e os melhores comentários! (Continue rolando para ver os resultados do poll da semana passada)

RESUMO DA SEMANA

Hot takes pelo 🌎

💘 Mais uma tentativa de fazer a Geração Z namorar. E dessa vez, quem está tentando é um app chamado DateDrop — que está viralizando nas Ivy League. A proposta? Ser o anti-Tinder. Nada de swipe infinito. O processo começa com 66 perguntas sobre valores e estilo de vida, que alimentam um algoritmo de compatibilidade. E o mais bacana é: você recebe apenas um match por semana, revelado para todo mundo ao mesmo tempo — terça-feira, às 21h. Eles comparam ao efeito HBO (Um eps. por semana) vs. Netflix (solta tudo de uma vez). Em resumo, a ideia de transformar o namoro online de uma atividade solitária e cansativa em um evento comunitário semanal baseado na antecipação e escassez.

🎮🎬 Hasbro vs. Mattel: jogos superam filmes. Enquanto a Hasbro subiu 27% no ano e lucrou US$ 1 bi ao apostar em jogos e revitalizar IPs clássicos com collabs como Marvel e Avatar, a Mattel viveu o oposto: ações despencaram 27% em um único dia, com margens pressionadas por tarifas da China. Após o sucesso de Barbie, criou a Mattel Studios e anunciou 16 filmes apostando que o cinema criaria novos fãs e sustentaria as vendas — mas o efeito foi pontual, e as vendas caíram. No fim, jogos criam engajamento contínuo. Filmes são poucos os que geram hype — e, muitas vezes, ele é passageiro.

💄 O segredo do programa de fidelidade da Sephora (+75% em cinco anos). A virada foi sair do modelo transacional e migrar para o emocional. A engrenagem? Gamificação. Os Beauty Insider Challenges criam missões personalizadas com base no histórico de compra, que geram pontos trocados por produtos, experiências ou descontos. Funciona: os eventos de 2025 bateram recordes de pedidos por minuto e hoje acumulam 46 milhões de membros. E o “level up” (Insider → VIB → Rouge) comprova — os níveis superiores crescem mais rápido do que a base, mostrando que as pessoas estão gastando mais para subir de status.

🚆 Nike aposta em trem nas Olimpíadas de Inverno. Para marcar o relançamento da linha ACG (All Conditions Gear), a Nike criou o All Conditions Express: um trem totalmente customizado que levou convidados de Milão aos Alpes durante os Jogos de Inverno. Vagões laranja, logo triangular em destaque, café inspirado em refúgios alpinos, área de recuperação, loja de souvenirs e sala de equipamentos outdoor. Mais do que mídia, foi território físico de marca — que, diferente do digital, te obriga a viver a experiência. Vale conferir aqui.

BRAND MARKETING CASE STUDY

Do potão de R$ 5 ao mundo

Por quase 40 anos, a Skala Cosméticos era “só” uma marca barata na prateleira.

Fundada em 1986, em Uberaba (MG), 100% brasileira e pioneira em democratizar o cuidado capilar, carregava um desafio: preço baixo, pouca diferenciação e sem verba para mídias tradicionais (como a TV) que dominavam os anos 2000. (Escute a história da marca aqui).

Construir marca era um jogo caro, e venciam quem podia pagar por ele. Até que veio a virada.

Em 2011, com a entrada no Facebook, e a partir de 2016 no Instagram, a Skala encontrou um território novo: mídia orgânica.

Bruna Veneziano, então diretora de marketing, assumiu pessoalmente as redes. Por dois anos, respondeu DM, comentários, criando a persona carinhosamente apelidada de “Dona Skala”.

As redes viraram um espaço autossustentado e gratuito de: P&D; construção de comunidade e marketing digital via user generated content.

Foi ali que a marca ouviu demandas reais, ajustou fórmulas, tornou-se 100% vegana e cruelty-free e mudou seu tom de voz para falar na língua das consumidoras.

Antes de viralizar, construiu comunidade. Até que um dia o algoritmo decidiu amplificar.

Em 2023, Joanna Salvador, uma consumidora peruana que morava nos Estados Unidos, publicou esse vídeo espontâneo no TikTok comparando o “potão” brasileiro de US$ 5 com marcas americanas de US$ 40.

Três minutos e quase 10 milhões de visualizações. Explodiu.

O impacto foi imediato: produto esgotado na Amazon, revendedores cobrando até US$ 50 e exportações saltando de 3 para 49 contêineres em poucos meses — um crescimento de 300% no exterior.

A Skala reagiu rápido. Contratou Joanna como embaixadora 🤝 e aproveitou o buzz para expandir sua linha no varejo americano.

O que as brasileiras já sabiam, o mundo começou a descobrir. E então chegou o dinheiro grande. Em 2024, a Advent, gestora global com US$ 91 bilhões sob gestão, assumiu o controle da empresa. A essência segue brasileira, mas agora com musculatura para escalar internacionalmente.

E não parou aí. Para coroar essa trajetória, em 2025 a Skala uniu forças com outra queridinha nacional: a Lola Cosmetics. A fusão criou um gigante nacional:

💵 Faturamento combinado estimado em R$ 2 bilhões
🏠 Presença em 54% dos lares
🌍 Atuação em mais de 80 países

A união é estratégica: a Skala traz a capilaridade e o volume de massa, enquanto a Lola traz a inovação, o posicionamento premium acessível e a comunicação criativa (Ex: os nomes do seus produtos;"Xapadinha", "Morte Súbita").

WHAT'S THE TAKEAWAY?

As redes sociais democratizaram o acesso ao mundo. Uma marca do interior de Minas, com quase 40 anos de história, teve um boom internacional porque construiu comunidade antes de construir campanha. O viral veio depois.

Às vezes, tudo começa com um potão de cinco reais — e uma DM respondida na hora certa. Essa é a potência das redes. Para quem ainda não usa suas redes como vitrine, talvez esteja ignorando a estratégia de tráfego grátis mais poderosa da década.

Antes, a lógica era POE: paid, owned, earned. Hoje, nossa aposta é OEP.

Primeiro, a marca constrói suas próprias plataformas e controla sua narrativa. Depois vem o earned — as pessoas criando em cima disso. Por último, o paid — não mais como motor, mas como acelerador.

Cinco salários mínimos por uma noite de exclusividade

É isso mesmo que muita gente paga para viver um camarote na Sapucaí.

O que nasceu como desfile de rua hoje virou um dos motores mais relevantes do Carnaval carioca, que estima movimentar cerca de R$ 6 bilhões este ano. E os camarotes são parte central dessa engrenagem.

🔎 Zoom out: Antes do Sambódromo existir, o desfile era na rua mesmo. Todo ano, arquibancadas provisórias eram montadas na Marquês de Sapucaí. Acabava o Carnaval? Desmontava tudo. O então governador via aquilo como desperdício de dinheiro público.

Em 1983, veio a virada: se fosse para construir algo permanente, que tivesse função o ano inteiro. A ideia era de uso duplo:

🎭 No Carnaval, o maior palco do mundo para o samba.
📚 Durante o ano, um complexo educacional com cerca de 160 salas de aula sob as arquibancadas.

Chamaram Oscar Niemeyer, e o projeto ficou de pé em cerca de quatro meses.

Quando foi inaugurado, o traçado não era simétrico. De um lado, arquibancadas. Do outro, um espaço limitado pela antiga fábrica da Brahma — que, anos depois, daria origem ao famoso camarote da marca na Sapucaí.

E o nome? “Sambódromo” foi criação de Darcy Ribeiro: a junção de “samba” com “dromo”, do grego, “lugar para correr”. O corredor oficial do samba.

Fast forward: 42 anos depois

Hoje são 18 camarotes. E faz tempo que open bar caprichado ou cardápio assinado por chef renomado deixaram de ser diferencial. Isso virou commodity. A disputa agora é outra. Olha como os principais players estão jogando:

1️⃣ O Nosso já se posiciona como empresa de hospitalidade. A expectativa é faturar cerca de R$ 150 M este ano, sendo que o Carnaval representa só 30% desse total. O restante vem de outras propriedades, como o camarote na F1 e planos de expansão pro exterior.

Na Sapucaí, o line-up mistura Ne-Yo, J Balvin e Anitta. Patrocinadores como BYD, Brahma e Schutz ativaram experiências — incluindo estação de personalização de tênis.

2️⃣  Já o Camarote Alma, de Álvaro Garnero, aposta em outra lógica: menos volume, mais exclusividade. A estratégia foi construir marca antes de abrir vendas. Cerca de um terço do público é estrangeiro, fruto de uma estratégia forte de PR internacional.

Nos detalhes mora o diferencial: spa com equipamentos de laser avaliados em milhões, isolamento acústico para não interferir no desfile, gastronomia do Capim Santo e DJs globais.

3️⃣ O Camarote Nº1, pioneiro na avenida, movimenta cerca de R$ 80 M anuais e opera como plataforma de negócios: licenciamentos, clube de benefícios, collabs e ativações que acontecem ao longo do ano. O camarote deixou de ser evento e virou marca. Este ano, trouxe doc series com as “musas” e até roupões exclusivos da Trussardi.

E esses são só alguns exemplos. Mas teve até estação de whey protein no camarote Arpoador, Guday distribuindo gummies de melatonina no Allegria e Mercado Pago criando seu próprio camarote a 25 metros de altura.

Qual é o ponto aqui?

A Sapucaí coloca um holofote sobre o que está acontecendo no mercado: não existe teto de valor quando a coisa é experiência. Seja fazendo um tratamento de pele enquanto a Mangueira passa, cantando com um astro internacional, dançando ao lado de Gisele Bündchen ou ampliando sua rede de contatos com pessoas que dificilmente estariam na mesma sala, o público não paga apenas para ver o desfile. Hoje, paga para pertencer. E memórias, diferente dos produtos na prateleira, não têm preço fixo, têm valor. Preço se compara, valor se constrói. Qual é o significado que só a sua marca cria?

BYTES TO BITE
Um giro pelas últimas campanhas de destaque

🍟  O McDonald’s virou seus anúncios “de lado” após o Super Bowl, adaptando o layout à forma como as pessoas realmente assistem conteúdo — no celular, de ressaca no sofá. Uma mudança simples de formato que transformou comportamento em mídia. Veja só.

❤️ A IKEA usou o duplo sentido com humor e simplicidade para transformar Valentine’s Day em marketing inteligente: parece sobre sexo, mas é sobre montar móveis juntos. Veja aqui e aqui.

🕊️ A Dove lançou a campanha “r/eal reviews”, usando as 50 primeiras avaliações do Reddit — positivas e negativas — sem edição, para reforçar sua plataforma de transparência. Muito bom.

✈️ Qatar Airways pousa no Fortnite: recriou Doha com Qsuite e uma influenciadora virtual Sama. Jogadores podem ganhar passagens reais, usando gamificação para ativar desejo antes da compra.

☕️ A Starbucks virou parceira oficial da New York Fashion Week, abastecendo designers e criando ativações como coffee rave, collabs e drinks edição limitada. Adoramos.

🛒 Procurando por amor? Pegue uma cesta vermelha. Caso contrário, fique na verde. Foi assim que esse supermercado ativou o Valentine’s Day.

TRENDING NOW

🏈 Confira aqui que mais um orçamento de US$ 8M por 30s no Super Bowl pode comprar.

💄 Esse é um breakdown completo da estratégia de marketing digial da Rhode. wow

👥RentAHuman: a startup que usa IA para contratar humanos quando o código não resolve.

🎬 Um ator famoso criou um perfil “look alike” nas redes, viralizou como se fosse outra pessoa idêntica a ele — e depois revelou que era o próprio personagem do seu novo filme. Entenda.

LAST WEEK POLL RESULT:

O que você achou do rebranding do the news?

65% aprovaram de cara, 31% ainda não e 4% seguem divididos.

👍🏻“agora só falta uma coisa: transformar o trends em podcast tambem e criar um app que reuna todos os conteudos (pode ate ser pago)”

👍🏻“amei, achei chic kkk ficou mais maduro e sofisticado, mas não acho que "finalmente" pq a news sempre foi madura, portanto na minha percepção, a evolução veio naturalmente com o crescimento, público cada vez adepto ao formato de se manter informado sem a 'dureza' das mídias tradicionais, e os mais diversos interesses de conteúdo sempre se expandindo. parabéns denius, amei real. ”

👎🏻 “Os cadernos tinham nomes muito melhores dos atuais. Champs, Bizness, Trend Report são nomes que se identificam muito mais com o conteúdo do que os novos… “The News Sports”, cara ficou péssimo. Ainda bem que sempre dá pra voltar atrás…”

👎🏻 “A evolução da marca e a linha de pensamento são muito interessantes e cheias de significado - isso achei muito legal. O “t” com tracinho na frente foi interessante também, tratando-se de estética. Mas não gostei da versão final da xícara vista por cima em amarelo… está parecendo um pintinho 🐤 de perfil…”

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