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03/02/2025
Como vender para o 1%, o app feito para você deletar, sua marca sabe dançar? E coisas para te manter interessante

eles confiam em vocês?
bom dia. a construção de confiança não é um evento único, mas uma soma de pequenas interações autênticas. o que você está comunicando, mesmo sem dizer uma palavra, em cada experiência com seu cliente?
uma fonte de inspiração para os seus conteúdos, estratégia e uma pitada de insights para sua marca. 💭
LESSON OF THE WEEK
Como vender para o 1%: A estratégia genial por trás de Gstaad Guy
Gstaad Guy é mais que um influenciador: ele é uma ficção cuidadosamente criada para conversar diretamente com os ricos, novos e tradicionais, sem soar como uma venda direta.
Sua marca não se constrói em números massivos de views, mas sim na qualidade e exclusividade do público que alcança. E essa é a chave para entender por que ele virou um dos rostos preferidos de marcas de luxo como Loro Piana, Audemars Piguet e outras grandes grifes.
1. O Jogo do Framing: Mockery, storytelling e identificação
Gstaad Guy usa a comédia como linguagem, mas seu produto é a narrativa. Seus vídeos são conversas entre dois personagens que personificam dois mundos do luxo:
![]() Constance, o aristocrata britânico pomposo, representa a velha guarda — tradição, excelência atemporal e valores discretos. | ![]() Colton, seu primo exagerado, encarna a ostentação moderna — tendências ousadas, cores chamativas e extravagância. |
Essa conversa constante entre o “velho dinheiro” e o “novo rico” cria uma narrativa irresistível para quem vive (ou aspira viver) entre esses mundos. Gstaad Guy brinca com os absurdos da riqueza, mas ao mesmo tempo celebra os códigos não ditos desse universo.
E é exatamente por isso que ele agrada tanto aos bilionários, que se sentem "celebrados", quanto ao público comum, que se sente "ouvido".
2. Exclusividade como barreira de entrada
Se assistiu a um vídeo dele e não entendeu suas piadas, você provavelmente não é o público-alvo. Os primeiros segundos de muitos de seus conteúdos começam com diálogos em vários idiomas (francês, alemão, italiano), ou com referências específicas a jatos particulares, artes e relógios, hotéis escondidos nos Alpes, e jantares que custam o salário de um mês.
Essas barreiras de entrada filtram naturalmente quem interage com a marca, reforçando a ideia de que não é para todos.
3. O segredo da conexão: não é sobre o produto, é sobre o lifestyle
As marcas de luxo que se associam a Gstaad Guy entenderam que seu valor está em inserir seus produtos dentro de histórias — e não apenas mostrar anúncios diretos. Quando ele aparece usando um casaco da Loro Piana ou um relógio da Audemars Piguet, o foco não está no produto em si, mas na experiência e no lifestyle que ele representa.
Por exemplo: um vídeo patrocinado não mostra as especificações de um relógio, mas a vida de alguém que o usaria: um brunch discreto em Gstaad, uma tarde de esqui nos Alpes, ou um jantar em Mônaco. O produto é o meio, não o fim.
4. O stretch entre tradição e inovação
Gstaad Guy aposta que as marcas mais bem-sucedidas serão aquelas que conseguirem equilibrar tradição e hype, o prestígio antigo com o frescor moderno. É o mesmo motivo pelo qual marcas hoje abraçam tantos collabs inusitadas (exemplo: Nespresso e Oatly.
Esse stretch entre os dois mundos faz com que elas sejam desejáveis tanto por quem cresceu rodeado de riqueza quanto por quem chegou lá agora — permitindo a conversa também com as gerações mais novas. É sobre se mover entre dois polos sem perder a identidade.
KEY TAKEAWAYS:
Para conversar com um público específico, crie barreiras naturais de entrada usando referências que só o seu público-alvo vai entender.
Construa uma narrativa que mostre o estilo de vida primeiro e depois mostre o produto como um meio para alcançá-lo.
Equilibre tradição e inovação para alcançar diferentes perfis de pessoas dentro de um único grupo.
Crie uma “personalidade” forte e um storytelling consistente que diferencie a marca de qualquer outra.
Não tenha medo de brincar com os próprios estereótipos do seu mercado, desde que isso gere uma conexão genuína.
E quem é Gstaad Guy de verdade? Por trás do personagem está um criador discreto e inteligente, que cresceu próximo ao mundo dos Ultra-HNWIs e trabalhou na Apple antes de criar a marca. Seu nome verdadeiro é um mistério, e essa dualidade entre criador e personagem contribui para o fascínio. Gstaad Guy prova que o impacto vem da diferenciação e de conversar diretamente com o público certo. Conheça mais.
BRAND MARKETING CASE STUDY
O app que foi feito para você deletar

Imagine um app de namoro feito para você excluir. Parece estranho? No caso do Hinge, faz todo o sentido. Enquanto concorrentes como Tinder e Bumble são conhecidos pelo ciclo infinito de deslizar por novas pessoas e focam em métricas como MAU, downloads e assinaturas, o Hinge está seguindo o caminho oposto.
"Projetado para ser excluído": o slogan mostra que a marca se dedica a promover relacionamentos reais que tirem as pessoas do app para sempre. É óbvio, mas isso ainda não havia sido dito.
💘 Vamos combinar que namorar hoje tá bem difícil: 81% dos usuários do Hinge nunca encontraram um relacionamento de longo prazo em nenhum app de encontros. Isso reforça a carência de conexões genuínas e significativas, algo que se tornou foco em seu posicionamento e recursos.
Não estamos falando de one-night stands: o Hinge está olhando para relacionamentos autênticos, para usuários que priorizem qualidade em vez de quantidade.
Suas campanhas giram em torno do conceito de que seus matches são cuidadosamente selecionados, deixando de lado a superficialidade da cultura de deslizar, como mostram essa animação e esses OOHs que simulam conversas fofas e “amarelas” em dates:
![]() | ![]() |
Seu perfil no Instagram, inclusive, não contém nenhuma criação de conteúdo, apenas o seu slogan, reforçando ainda mais a eficiência do app. É como se promover casais de sucesso fosse tão natural que eles nem precisassem investir em social. Veja aqui você mesmo.
E foi com esse posicionamento que o Hinge conseguiu alcançar:
👉🏻 US$ 396 milhões em receita em 2023, um aumento de 39% em relação ao ano anterior;
28 milhões de usuários, sendo 1,4 milhões pagantes por seus serviços premium;
15% de market share no segmento de apps de namoro nos EUA.
🏹 É curioso porque é como se o Hinge estivesse na contramão do que a maioria dos apps deseja: manter o usuário preso à plataforma. Com uma estratégia focada em resolver uma dor real, ele nada contra o fluxo e conquista cada vez mais os Gen Zs que estão entrando no mercado de relacionamentos.
COFFEE TALK
Sua marca sabe dançar?
O mundo fragmentado de hoje mudou a forma como as marcas se comunicam. Em branding, trabalhamos com regras muito rígidas para definir a identidade da marca, buscando manter um design system coerente para uma execução impecável.
É claro que consistência é fundamental para ter uma marca forte e reconhecida, mas será que essa rigidez ainda faz sentido hoje?
Comportamentos e realidades mudaram, e hoje, sua marca nunca é só sua. Em tempos de cultura colaborativa, ela também pertence aos fãs e creators, que querem participar da sua expressão e evolução, trazendo suas próprias visões e interpretações.
🥤 A Coca-Cola fez algo bem legal nesse sentido: em vez de brigar com as diferentes versões do seu logo criados pelos fãs, ela as celebrou na campanha "Thanks for Coke-Creating".
O estático não está com nada: hoje a palavra da vez é movimento. Em um mundo digital, as marcas não podem mais depender de ativos fixos — elas precisam de elementos vivos que abracem a multisensorialidade, como logos adaptáveis, motion branding e sound branding.
🏅 O logo das Olimpíadas de Los Angeles 2028 exemplifica isso: o "A" muda de forma e design para refletir a diversidade da cidade.
Essa flexibilidade também vale para marcas globais. Elas precisam abraçar a cultura local e adaptar sua comunicação a cada mercado, respeitando linguagens e tons de voz específicos. Lembrou do Méqui? É exatamente isso.
Permitir a participação do público sem perder a essência pode parecer desafiador, mas o segredo está na simplicidade. Ativos simples são mais fáceis de serem reconhecidos, icônicos e adaptáveis, independentemente do mercado.
☕ A Nescafé, a marca de consumo mais valiosa da Nestlé, é um ótimo exemplo: a marca provou que é possível ser única e reconhecível, ao mesmo tempo, se adaptar a 180 países.
Olá, sou Luís Bartolomei, sócio-fundador e CEO da CBA B+G, parceira estratégica de grandes marcas, no Brasil e em toda América Latina. Leia mais sobre esse insight e outros no Pulse 2025, nosso report anual de tendências em design.
TO KEEP YOU INTERESTING
The Hot Corner 🔥
📉 Stats of the day: Em 2024, cerca de 361,6 bilhões de e-mails foram enviados e recebidos diariamente, enquanto 1,3 bilhão de fotos eram compartilhadas no Instagram todos os dias e é estimado que 34 milhões de vídeos foram postados no TikTok diariamente.
🤔 Did You Know? Em 1987, a American Airlines economizou 40 mil dólares removendo apenas uma azeitona de cada salada servida na primeira classe. (Com o preço atual das azeitonas, imagine quanto seria economizado hoje). Às vezes, pequenos detalhes podem gerar grandes economias.
📚 Worth a Read: Quantas regras existem no seu escritório? O que você precisa para aprovar um novo projeto ou alterar a forma como algo é feito? Neste livro, o cofundador e ex-CEO da Netflix, Reed Hastings, conta como ele criou uma cultura de inovação e alta performance com uma única regra: não ter regras. Liberdade com responsabilidade. Ele mostra que, ao confiar nas pessoas para tomarem decisões, é possível alcançar resultados incríveis.
📊 Flash poll:
45.24% de vocês votaram ‘depende da empresa e do mercado em que ela atua’ no poll da semana passada: Se hoje em dia, você acredita que a presença pública do CEO é indispensável para o sucesso da empresa?
“A empresa/marca pode adaptar sua criação de conteúdo baseado no seu produto e público, sendo relevante ou não a presença publica do CEO mas tendo um (ou vários) rosto porque nos conectamos com outras pessoas.”
“Pessoalmente falando, o comportamento do CEO representa o que vende. Então acredito que sim, sua presença pública é indispensável.”
“A gente tem alguns exemplos de mascotes que acabam virando a personalidade da marca. E os CEO são pouco conhecidos no mercado. Agora, acho que todo CEO deve trabalhar sua autoridade, independente se sua imagem está ou não associada à marca.”
Se você só pudesse investir em um canal de mídia para o restante do ano, qual destes seria? (Deixe o motivo nos comentários, se puder.) |
Deixe sua opinião — ela é anônima, e compartilharemos os resultados na próxima semana.
BYTES TO BITE
Um giro pelas últimas campanhas de destaque
🥪 Hellmann’s traz de volta o clássico filme “When Harry Met Sally”. Na sua campanha para o Super Bowl trouxe Meg Ryan e Billy Crystal para recriar a icônica cena da lanchonete, mas desta vez, até o sanduíche sentiu a diferença.
🍅 Heinz sem logo? Em uma jogada ousada, Heinz lançou uma campanha de outdoor sem o logo da marca. O destaque fica nos produtos clássicos, mostrando que a tipografia icônica e 156 anos de história falam por si.
☕ Starbucks transforma nomes em sorrisos. Em uma mudança estratégica para recuperar seu público, a Starbucks lançou uma nova campanha que destaca sua experiência. Nela, os baristas reinventam a tradição de escrever nomes nos copos de café por mensagens motivacionais.
🏎️ O Boticário celebra conquistas com a narração de Galvão Bueno. Para mostrar a essência do perfume Malbec em sua nova campanha, o ícone destaca a jornada de Gabriel Bortoleto, um novato da Fórmula 1, mostrando que pequenos gestos podem impulsionar grandes mudanças.
🛋️ Você lembra do Harlem Shake? A IKEA lembra, e decidiu surfar nessa trend 12 anos atrasada. Mas eles estão assumindo isso com orgulho para lançar seu programa de fidelidade IKEA Family (sim, eles estão tão atrasados assim, risos).
💄 Coolers influs in town. Uma dose de inspiração de campanhas de influencers criativos:
Sabe quando o fit é tanto que parece ser a própria brand persona da marca? Foi esse caso para Zerezes.
Essa aqui eu ainda não sei se é um filme com roteiro completo ou uma publi mesmo para a Guday.
Esse é o conteúdo mais divertido que você vai ver essa semana, e é uma publi quase que oculta da Sprite.
TRENDING TOPICS OF THE YEAR
Marcas precisam seguir a cultura 🔥
Para sempre ficarmos de olho nos principais assuntos abordados, deixamos aqui os que ficaram mais em alta segundo o Google Trends nesta última semana (top 5):
DeepSeek 🤖
Times de futebol (Corinthians, Noroeste, Recife…) ⚽️
Serpente 🐍
Globo 📺
Neymar 🧍🏻
Before 👋🏻 coisas que você precisa saber
📱 Quem nunca assistiu a um filme enquanto mexe no celular? Parece que a Netflix notou isso e está ajustando os roteiros para atender o público multitarefa.
☕ The fall of Starbucks, the rise of Chamberlain. A influenciadora Emma Chamberlain acabou de abrir a primeira loja física do seu café, oferecendo drinks exclusivos e um menu personalizado ao seu estilo de vida. Check out.
📺 Dizem que, de 5 em 5 anos, o mercado de mídia e entretenimento passa por uma transformação: Early 2000s (a ascensão da mídia digital), late 2000s (a revolução das redes sociais), mid-2010s (o boom do streaming), 2020s (TikTok e IA). 2025... e este ano, o que vem por aí? Nossa aposta é essa aqui.
Qual foi sua coluna preferida? |
O que você achou da edição de hoje?Depois conta pra gente o motivo |
até segunda-feira que vem, byeeeeee! 👋🏻

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