BOM DIA.

Depois de 15 anos de um histórico complicado à frente da New Balance, a CMO foi demitida. Em 2020, um novo executivo assumiu, e encontrou a seguinte estrutura:

70% do orçamento em descontos e ofertas.
30% em influenciadores, patrocínios e construção de marca.

A primeira decisão dele? Inverter a equação. Nos 18 meses seguintes, a empresa continuou perdendo dinheiro. No 19º mês, as vendas dispararam. Have patience, he say. Marcas são construídas com tempo.

🎙️Nos ouça clicando aqui.

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POLL OF THE WEEK

Uma rede social feita só para IAs e agentes. Eles conversam entre si, trocam informações, aprendem padrões e evoluem sozinhos. Essa plataforma se chama Moltbook — e você provavelmente já ouviu falar, porque só se fala disso na internet.

Mas nossa reflexão é: se agentes têm uma rede social própria, será que o marketing precisa de uma nova camada? Que não é B2B nem B2C, mas B2A (Business to Agents)?

Conte o porquê e, na semana que vem, vamos compartilhar a resposta e os melhores comentários!

(Continue rolando para ver os resultados do poll da semana passada)

ANOTA ESSA

A BBC tem 100+ canais no YouTube, soma 175 milhões de inscritos e mais de 48 bilhões de visualizações. A Red Bull segue a mesma lógica: motorsports, bike, snow, música, cultura.

Cada canal é laser-focused em uma subcultura diferente. Uma marca, múltiplos canais.

Um canal gigante tende a afogar audiências nichadas em conteúdo irrelevante. Canais focados permitem que o algoritmo faça o que ele faz melhor: conectar o conteúdo certo às pessoas certas. Nossa aposta aqui é: ou você joga na sorte com o algoritmo, ou desenha estruturas que aumentam suas chances de ganhar melhor.

RESUMO DA SEMANA

Hot takes pelo 🌎

💜 13 milhões em um mês. Esse foi o valor gerado pela marca Lemme, da Kourtney Kardashian, no TikTok Shop. Como? Ativando 13 mil afiliados, que produziram 53 mil vídeos. O algoritmo não recompensa um grande anúncio, e sim volume, iteração e narrativa contínua. E tem mais: antes de vender, a Lemme construiu reputação em canais físicos como Erewhon, Ulta Beauty e Target. Quando chegou ao TikTok, não lançou um produto novo, escalou um produto já reconhecido. E isso mudou tudo.

▶️ A Netflix quer ser a Red Bull? A Netflix fez uma live com Alex Honnold escalando um arranha-céu de 101 andares. Entretenimento, risco, tensão e um espetáculo ao vivo. Uma jogada que parece sair direto do brandbook da Red Bull. Mas por quê? Conteúdo ao vivo gera urgência, cria buzz e reúne grandes audiências em tempo real — algo que o on-demand não faz. Isso ajuda a aumentar retenção, impulsiona a aquisição de assinantes, gera mídia orgânica e diferencia a plataforma em um mercado cada vez mais competitivo. Assista aqui.

☕️ Flat White or F*ck Off. Essa foi a ideia brilhante que saiu da cabeça de um cara obcecado por comportamento humano e café: Rory Sutherland, vice-chairman da Ogilvy UK. A lógica é genial: se você só faz uma coisa, as pessoas assumem que você é muito bom nela. Então ele lançou uma marca de café com um cardápio que tem um único item: um flat white. Sem variações, sem escolhas, sem syrups…. Porque aqui, simplicidade não é limitação, é o produto. Menos escolhas, menos fricção, mais confiança. E assim a oferta reduzida vira sinal de qualidade. Confira a marca.

🥠  O novo canal de mídia… Fortune Cookies O MrBeast se uniu à OpenFortune para espalhar 2,5 milhões de fortune cookies em restaurantes dos EUA, com mensagens ligadas ao seu programa Beast Games. Entre eles, 24 mil edições trazem mensagens escritas pelo próprio MrBeast, estilo Willy Wonka, incentivando leitura, compartilhamento e conversa à mesa. O insight é: em um mundo de cegueira a anúncios, momentos físicos, íntimos e compartilhados geram mais engajamento do que qualquer pre-roll pulável.

BRAND MARKETING CASE STUDY

O lançamento do strip club

Será que já saturamos todas as categorias a ponto de precisar lançar um strip club para chamar atenção? Sim, e não.

Talvez já tenhamos produtos suficientes. Mas sempre vão existir novas oportunidades de brincar com forma, narrativa e ponto de vista. No fim, tudo é P.O.V.

E foi exatamente isso que Lauren Sudeyko, ex-PepsiCo e Google, fez ao lançar um Strip Club. Mas não do jeito que você está imaginando.

Aqui, strip é o produto: sleep strips.

E club é a comunidade que ela construiu em torno deles.

Contexto rápido: em 2025, ela lançou a marca Sleep or Die com uma fita para dormir e alguns acessórios ligados ao ritual do sono. Mas mais do que produtos, a proposta era um movimento: tornar o sono sexy. Usando uma linguagem provocativa, ela chama atenção para a normalização da privação de sono — o burnout da nossa geração.

A marca cresceu de forma consistente, mas foi só no lançamento do segundo produto, na semana passada, que ela viralizou. O que explica esse sucesso?

1️⃣ Primeiro: antecipação via gamificação.

Ela provocou o público nas redes, escondeu o produto e convidou as pessoas a adivinhar o que vinha aí. Intriga gera atenção. Veja só.

2️⃣ Depois, comunidade.

Ela criou o Zombie Club — membros do strip club. Para entrar, só quem entrasse primeiro na waitlist, que dava acesso a um Instagram privado. Os 50 primeiros ainda ganharam preço de founder member para sempre.

⭐️ Exclusividade, recompensa aos early adopters e acesso antecipado ao produto.

A própria Lauren diz que essa waitlist foi essencial. Foi ali que ela entendeu quem realmente era seu consumidor — a ponto de mudar completamente a landing page na semana do lançamento. Fotos, copy e estética não estavam 100% alinhadas com a audiência.

3️⃣ Teve até mascote: Persephone, uma ovelha rebelde que ama cochilos. Uma forma de criar personalidade sem depender só da figura da fundadora.

4️⃣ Ainda assim, Lauren não saiu de cena. Ela segue usando build in public, mas de forma mais discreta: criou um Substack onde compartilha vitórias, desafios e pedidos de ajuda. No meio disso, um acidente de carro, um noivado… tudo acontecendo enquanto se constrói uma empresa. É impossível não continuar lendo e torcendo por ela, parece um diário.

Qual é o ponto? Nunca foi tão fácil construir uma marca. Mas nunca foi tão difícil chamar atenção, criar vínculo em um mundo cada vez mais tecnológico e gerar desejo quando tudo já libera dopamina. Lauren conseguiu, talvez porque significado e intenção nunca fizeram tanta diferença.

TREND TO WATCH

O primeiro influenciador que virou ação na bolsa

E o que isso nos ensina sobre o futuro do IP

🔎 Zoom out. Já falamos sobre isso aqui antes, mas vale reforçar: IP vem de intellectual property. Um termo que antes servia para patentes, logotipos e marcas registradas — ativos que vinham com um “certificado” de controle e propriedade.

Com o digital, essa lógica se expandiu. Hoje, qualquer coisa que gera valor cultural ou econômico pode virar IP — de um bordão viral à versão digital de uma pessoa. A regra é: se gera atenção, gera valor. Se gera valor, pode virar propriedade.

Até aqui, o movimento mais comum, e já inovador, era o de pessoas registrando suas próprias marcas. Como Cristiano Ronaldo fez com o CR7.

Mas o que Khaby Lame acabou de fazer é diferente.

Khaby começou a postar vídeos em 2020, depois de perder o emprego na pandemia e voltar a morar com os pais.

Seus vídeos são mudos, baseados em expressão facial e linguagem corporal, ironizando aqueles “life hacks” absurdos da internet. (Lembra um MrBeast do digital, risos).

Hoje, ele tem mais de 160 milhões de seguidores só no TikTok, cobra cerca de 1 milhão de dólares por publi e acabou de vender sua conta, sua imagem e a própria marca, para uma empresa de serviços financeiros de Hong Kong chamada Rich and Sparkle.

O acordo foi de US$ 975 milhões.

E mesmo sem nunca ter trabalhado com creators antes, o mercado reagiu imediatamente: as ações da empresa subiram 250% no anúncio. Na prática, o IP do Khaby passou a ser precificado como ativo financeiro.

O que isso significa?

Durante os próximos 36 meses, a marca Khaby Lame passa a pertencer 100% à Rich and Sparkle. Tudo o que ele produzir online dentro do escopo do acordo — vídeos, lives, contratos e commerce — passa a ser controlado pela empresa. Pense em um artista que canta, mas não detém os direitos da própria música: ele aparece, mas quem controla e monetiza são outros. É essa lógica, agora aplicada a uma pessoa. E, desta vez, conectada ao mercado financeiro.

O plano vai além. A empresa anunciou que pretende lançar um gêmeo digital do Khaby, um AI Lame, para escalar a produção de conteúdo com inteligência artificial.

Ou seja, o Khaby não precisa mais estar presente o tempo todo. O maior TikToker do mundo pode ser multiplicado por IA, operando 24 horas por dia, vendendo diretamente no feed.

Isso vai além do creator como infraestrutura de marketing. Estamos falando do creator como ativo financeiro negociável.

💭 Imagine, no futuro, sua carteira de investimentos incluir IPs de creators nos quais você acredita que vão valorizar. Comprar, manter, trocar. Apostar em atenção como hoje se aposta em ações. Esse caso não cria esse modelo — mas acelera e legitima essa lógica.

Isso já não é só marketing. É sistema. Existe risco? Claro.

O ativo mais valioso do Khaby, a autenticidade, é também o mais frágil. Atenção não é garantida. E, se é ela que determina valor, perder atenção é destruir o produto. Se o público não aceitar conteúdo produzido por IA, o castelo cai. Plataformas dão. Plataformas tiram.

Mas, independentemente de dar certo ou não, uma coisa é clara: a creator economy acaba de ganhar um novo nível de sofisticação financeira. Creators deixaram de ser apenas mídia. Viraram IP negociável. E, agora, classe de ativo.

BYTES TO BITE
Um giro pelas últimas campanhas de destaque

🎰 Kendall Jenner zoa seus ex-namorados atletas. Ela entrou no comercial do Super Bowl com uma empresa de betting, usando a narrativa da Kardashian Curse. A campanha foi 360, garantindo até sua presença no Jimmy Fallon, com direto a uma ligação para Tom Brady.

🤜🏻 🤛🏻 Pepsi vs. Coca-Cola (de novo). A Pepsi ressuscitou o Pepsi Challenge dos anos 70 e lançou um trailer provocando a eterna rivalidade com a Coca-Cola.

🤑 Os ricos vivem mais. Em média, sete anos a mais por terem mais acesso à saúde. A Hims & Hers, em sua nova campanha, diz democratizar esse acesso, do emagrecimento à prevenção.

✈️ Todo mundo viu a polêmica da família Beckham, né? Pois bem: essa agência de viagens lançou a “Beckham Clause” — uma política de cancelamento pensada para quando a viagem em família desanda antes mesmo do embarque. Risos.

🚘 Mercedes-Benz e Audi apostam em OOH sem produto. O objetivo? Comunicar quem são, o que representam, não o que vendem.

🏆 A Sony criou um playable billboard chamado “Ultimate Combo”, e os fãs tiveram a chance de ganhar ingressos para as finais da NBA e da UEFA Champions League. Trend: playable ads.

🏰 Para celebrar os 20 anos de High School Musical, a Disney lançou o filme inteiro no TikTok — dividido em 52 partes. Trend: content-first + Nostalgia.

🎿 L’Oreal leva 7 anônimos pros alpes em brand trip. Trend: fãs > influenciadores

🤖 Google agora constrói marca. Trend: marca como âncora psicológica.

LAST WEEK POLL RESULT:

🇪🇺 Uma rede social sem bots funciona? Contexo: A Europa lança a W, nova rede social apresentada em Davos como alternativa à X. Como você enxerga esse movimento?

56,2% diz ser “um avanço conta bots e desinformação” e 24.2% reforça que “não funciona sem escala”.

“Claro que existem pontos negativos nesta proposta, porém em minha humilde opinião, os benefícios se sobrepõe. Principalmente, porque estamos sendo vigiados mesmo sem os dados de identificação presentes.”

“A ideia é bacana, mas a desinformação vem de várias plataformas, inclusive da mídia tradicional - o que é ainda mais sério, pois muitos ainda creem que ela traz a verdade absoluta. O fato de ter que fornecer um documento de identidade já vai desmotivar muitos, pois são documentos pessoais que não temos ideia de quem terá acesso, creio que não terá grande alcance aqui no Brasil pois nosso sistema é muito falho em proteger e punir.”

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